Parada frente as escadas contemplo o relógio que teima em passar o tempo.. Tempo esse que eu desperdiço em fitar o relógio e contemplar o movimento giratório que ele faz repetidas vezes todos os dias e parece não cansar de maquinar . Paro e o olho com olhos de curiosidade, olhos de que lembra do que foi, do que é e que teme o que irá ser. Lembro-me das coisas que gostava e que sinto vergonha hoje por ter gostado um dia, lembro-me do que queria e me sinto constrangida de ter desejado isso com todas as forças humanas capazes, lembro-me do que desejei e não sinto orgulho disso.
O tempo sempre me fascinou. Lembro de quando era mais jovem e ficava horas olhando o relógio branco na parede branca e ficava curiosa de saber como o tempo passava, e porque ele representava a mudança das coisas.. o envelhecimento das pessoas.. as voltas do mundo.
Aperto os lábios ao lembrar de situações muito constrangedoras e que no momento que a foi feita não parecia nenhum pouco comprometedoras.. talvez pela pureza do desconhecido.
Ah a curiosidade. Essa me levou a descobrir o desconhecido que me levou a desvendar os mistérios pouco prováveis quando se tem 9 anos de idade.. e talvez tenha sido um erro porque o que se é de mais belo quando se é criança é a arte de não saber de nada, a arte de se iludir com o pouco e mesmo assim fazer parecer que é a coisa mais maravilhosa do mundo..
Daquele tempo só levo o tic-tar do relógio que ainda me fascina e me faz querer descobrir como funciona as coisas e me excita a querer pará-lo e voltá-lo embora me perca na desesperança de que o impossível é realmente impossível e que nunca poderei fazê-lo parar e voltar tudo outra vez.
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