sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Shadow portraits.


Olhando fotos de antigos amigos não me vejo mais junto a tanta alegria e junto a diversão. Em meu lugar existe uma enorme sombra que deixa agora um enorme vazio. E hoje existem novas pessoas que para mim são desconhecidos e que ao mesmo tempo sinto que tiraram, subtrairiam, diminuiriam, arrancaram, tomaram o que de mais precioso que me pertencia e hoje ocupam o lugar que deveras foi meu e nem sabem como eu me sinto sobre isso. Não me vejo mais ao lado de pessoas que á tempos atrás me perguntaram o que eu faria se me separasse delas, e eu respondia com toda a tristeza que se podia ter ao imaginar, ''que não mais viveria'', pois se isso acontecesse me tiraria toda a alegria que eu sentia no momento em que isso se passará.
E hoje vivenciando a coisa que mais temia me sinto como se perdesse a coisa mais importante da minha vida, os momentos juntos com aqueles que mais amo.
E o que mais me entristece e me faz desejar não viver mais... é o fato de que nada do que eu faça possa corrigir a distância e corrigir os meus diversos erros..
Só me restar olhar esses retratos e fingir que não me importo mesmo desejando fortemente estar entre aquelas pessoas..
Gostaria muito de reparar isso tudo.. pena que sou orgulhosa demais.. mais confesso que sinto muito por tudo isso.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tic-Tar


Parada frente as escadas contemplo o relógio que teima em passar o tempo.. Tempo esse que eu desperdiço em fitar o relógio e contemplar o movimento giratório que ele faz repetidas vezes todos os dias e parece não cansar de maquinar . Paro e o olho com olhos de curiosidade, olhos de que lembra do que foi, do que é e que teme o que irá ser. Lembro-me das coisas que gostava e que sinto vergonha hoje por ter gostado um dia, lembro-me do que queria e me sinto constrangida de ter desejado isso com todas as forças humanas capazes, lembro-me do que desejei e não sinto orgulho disso.
O tempo sempre me fascinou. Lembro de quando era mais jovem e ficava horas olhando o relógio branco na parede branca e ficava curiosa de saber como o tempo passava, e porque ele representava a mudança das coisas.. o envelhecimento das pessoas.. as voltas do mundo.
Aperto os lábios ao lembrar de situações muito constrangedoras e que no momento que a foi feita não parecia nenhum pouco comprometedoras.. talvez pela pureza do desconhecido.
Ah a curiosidade. Essa me levou a descobrir o desconhecido que me levou a desvendar os mistérios pouco prováveis quando se tem 9 anos de idade.. e talvez tenha sido um erro porque o que se é de mais belo quando se é criança é a arte de não saber de nada, a arte de se iludir com o pouco e mesmo assim fazer parecer que é a coisa mais maravilhosa do mundo..
Daquele tempo só levo o tic-tar do relógio que ainda me fascina e me faz querer descobrir como funciona as coisas e me excita a querer pará-lo e voltá-lo embora me perca na desesperança de que o impossível é realmente impossível e que nunca poderei fazê-lo parar e voltar tudo outra vez.

domingo, 15 de agosto de 2010

Something strange.


A muito tempo não me pegava sentindo nada , que quando voltei a sentir achei estranho. Tentei me dissuadir pra fingir que não sentia o que sinto. Mentia. Sentia prazer em dizer que desse mal nunca havia passado e sabia conter os meus sentimentos. A verdade é que eu não mentia para os outros apenas mentia pra mim mesma que quando me peguei sentindo fiquei desesperadamente apavorada. Apavorada pelo fato do que havia sido adormecido acordar com tal intensidade que me fizesse tremer ao pensar em coisas que eu já não pensava havia tempos. Associava esse sentimento a coisas ruins, porque é algo que você não pode controlar, é algo que sente por que sente e não porque quer sentir e por ser algo que não se controla eu o temia tanto. E eu sempre esperei por isso, sempre quis isso apesar de temê-lo tanto, sempre falei sobre isso, sempre invejei quem sentia isso. E hoje cá estou toda medrosa por estar sentindo.
Talvez sentir pode ser até mais complicado do que viver o que se sente.
Como se detecta isso ? Como tu sabe que o que estar sentindo é ele ?..
É deveras tão complicado que pensei varias vezes em fazer um manual pra minha definição dos sentimentos , mas desistir ao descobri que é em cada gesto e em cada palavra que me pego sentindo outra vez .. e são infinitos gestos e infinitas palavras que não dariam pra resumir em meras paginas rabiscadas de qualquer papel..
Amar é definitivamente muito estranho. Te causa dor, mais ao mesmo tempo tu se sente feliz em estar sofrendo e se sente muito bem e mal. E algo que te proporciona dor não poderia ser dado como algo bom. Mas é deveras bom.
Porém me sinto tão feliz que mesmo que esse tal alguém não possa ser meu, me contento com suas simples palavras que me transmitem paz e alegria.
Existem coisas que não se devem explicar mais que eu sempre tento dar definições a elas.
Fecho os olhos e só o consigo ver é a tua face e o teu belo sorriso vem em meus pensamentos varias vezes ao dia. Não sei o que é o amor mais se não for o que estou sentindo não faço mais idéia do que pode ser. E o estranho é que eu estou gostando de sentir.

Texto dedicado ao guri que me seduz .. rs (:

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Persecution and butterflies.


Acordo com pensamentos muito estranhos e idéias avassaladoras . Sonho com pessoas me perseguindo e que enquanto elas me perseguem por mais que eu não goste dessa idéia de perseguição de repente me sinto dependente delas. Me sinto como se não pudesse mais existir sem que elas estivessem sempre me seguindo. Então é aí que percebo que elas não me perseguem e sim que elas me acompanham, que elas estão só tentando entender porque estou dando mais esse passo ou porque virei a esquina da curva mais distante e não virei na curva mais perto.
Costumava sempre ver as entrelinhas de tudo, não sei o que mudou em mim só me sinto diferente.
Me sinto como se eu tivesse a obrigação de ser eu mesma apesar de não querer mostrar ao mundo como eu sou. Me sinto como se já tivesse vivido a mesma cena varias vezes, cena esta que nunca haveria de ter acontecido e somente aconteceu em minhas memórias.. E como nunca, coisas do passado me vêem a cabeça.. Me lembro da tarde de verão em que brincava com meus amigos e avistei ao longe uma borboleta amarela. Eu poderia deixar a borboleta passar, porém ela me fascinava mais do que aos outros que compartilhavam da mesma cena em que eu avistava. A cada bater de assas eu via que tudo que ela queria não era um bando de crianças correndo atrás dela e sim queria que avistássemos o quão linda e livre ela podia ser. E naquele momento eu a invejei mais do que qualquer outra coisa que eu pudesse querer ter ou querer ser. A invejava pelo fato dela poder ser livre e poder voar. Sempre quis ser livre de algo que me prende. Algo que eu não vejo e algo que eu só posso sentir. E sinto que essas algemas invisíveis apertão cada vez mais os meus braços e cada vez mais me sinto presa. Aprendi que só me libertarei dessa coisa que não posso ver quando aprenderei que devo temer o que acho que não existe.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Crazy point of view.


Dizem que a loucura é quando não se sabe mais diferenciar o imaginário do que é real. Sendo assim o que de fato seria real ?.
Me recuso a aceitar que a menina com os olhos molhados , com a mão estendida implorando por umas moedas que lhe compraria algo que mataria a sua fome, seja real. Da criança que foi abandonada e que sonha com uma inexistente casa com pais amorosos e vários irmãos. Da adolescente que sofre abusos constantes de seus parentes mais próximos .. aconteça de verdade.
Me recuso a acreditar que tudo isso seja real, mais não haveria outras possibilidades, pois até no imaginário da mente mais perversa não conseguiria nem sequer pensar em coisas tão horríveis.
Os humanos são burros e limitados. Mas prefiro ser ''louca'' do acreditar ou melhor do que aceitar que tais coisas aconteçam e como tu simplesmente só me lamento por tudo isso.
Existe uma pequena linha que separa o real e o imaginário. Acredito que a minha linha se partiu e hoje passo a ver claramente quem são os verdadeiros loucos. Porque a loucura é plena e altamente compreensível. Pois para quem vive em tal mundo, não existe ninguém que conseguirá fazê-lo acreditar que aquilo que se foi criado em suas mentes, não existe. Eu acredito que isso aqui não existe. Posso ser louca pra tu e pra outros, mas para mim sou completamente normal, afinal vejo e sonho o que tu jamais poderá imaginar. O que seria sanidade pra uns, eu chamo de ''mente limitada''. Loucura pra ti, eu chamo de ponto de vista e método de saída mais sábio.